Policiais e familiares podem contar com atendimento preventivo de Associação de Servidores da Área de Segurança
A procura é maior após acidentes e adoecimento. Mas, o alerta é para os servidores buscarem a promoção da saúde
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Os profissionais da segurança pública, como os policiais militares, que trabalham sob o risco iminente à própria vida contam com a prestação de um serviço preventivo por meio da Associação de Servidores da Área de Segurança, Portadores de Deficiências do Estado do Rio Grande do Sul (Asasepode). A advogada Yasmim Hansen, que administra a Associação não-governamental, destaca o apoio constante que podem oferecer para esses profissionais e familiares. “A prevenção vem com a psicoterapia também, pois quando chegam casos de tentativas de suicídios, o trabalho é outro. A maior procura é para fisioterapia, desde o acidentado em serviço até o soldado em formação que teve uma entorse e precisa se preparar para um teste,” contou Yasmim.
Fundada há 25 anos, a Asasepode atende 300 associados que recebem assistência jurídica, além dos serviços de fisioterapia e de psicologia. “Por vezes um soldado gasta com muletas e temos muitas à disposição. Assim como temos para empréstimo quaisquer materiais que os servidores machucados possam precisar, desde cadeira de rodas, cadeira de banho, andadores até camas hospitalares e botas ortopédicas, entre outros,” disse. A contribuição financeira é mensal e acessível para o atendimento que ainda pode ser prestado fora do horário convencional considerando a escala de trabalho dos profissionais da segurança pública.
Além de impactos físicos
A Asasepode foi criada para atender os servidores feridos em serviço contando com o apoio de diversas autoridades e entidades da segurança pública gaúcha. Com a qualificada atuação, passou a acolher pessoas com deficiência de diversas áreas profissionais, tais como médicos, enfermeiros, artistas e motoboys. Ao final de 2025, realizou um evento para conscientizar a sociedade de que, além das consequências físicas, servidores da segurança pública e familiares sofrem com os impactos emocionais, identitários e financeiros após as lesões. “Os servidores da segurança pública têm um forte sentimento de pertencer às instituições. E, quando ocorre um acidente e há afastamento ou reforma, esse pertencimento muitas vezes se rompe, gerando sofrimento psicológico profundo, sensação de abandono e perda de sentido de vida,” destacou Yasmim. Essa situação é agravada pela insuficiência de políticas públicas efetivas de reinserção conforme demonstram estudos na área de saúde ocupacional.
Enquanto a reinserção não ocorre, os servidores lesionados têm um longo período de recuperação com múltiplas readaptações, o que exige a reorganização familiar para prestar o auxílio necessário. Neste contexto, a Asasepode presta apoio continuamente auxiliando na reconstrução do pertencimento, da dignidade e da cidadania dos servidores e de suas famílias impactadas pelos acidentes em serviço.
O diferencial da psicoterapia
As ações realizadas pela Asasepode buscam fortalecer os recursos emocionais daqueles que procuram a Associação, tanto de modo preventivo como curativo, promovendo a saúde mental. Segundo a psicóloga responsável Mariana Pires, esta é a maneira mais assertiva de preservar a dignidade e o sentido de vida das pessoas e, em especial, desses profissionais que vivenciam frequentemente situações de crise e de traumas. “O nosso trabalho contempla desde a psicoterapia individual para o manejo do estresse ocupacional, da ansiedade, dos sintomas depressivos e de dificuldades emocionais, até o acolhimento quando se encontram em contextos de alto risco à vida de si e de outros,” disse Mariana.
O trabalho desenvolvido pela Asasepode propicia a identificação de sinais de riscos representando uma forma eficaz de prevenção ao suicídio. A psicóloga relata que cada tratamento é decidido com o paciente e pode variar entre intervenções breves e acompanhamento psicológico, com o suporte em situações de luto ou afastamento do trabalho até que haja o retorno às atividades ou o avanço dos processos de readaptação profissional. Para Mariana, “o diferencial da psicoterapia está no cuidado humanizado, individualizado e acessível, que respeita a singularidade de cada história e reconhece os impactos vivenciados pelos profissionais da segurança pública ao longo de sua trajetória”.
Outro diferencial que a Associação disponibiliza é o acesso à fisioterapia aos pacientes de AVC, entorse de tornozelo, estiramento muscular de posterior da coxa, tendinopatia patelar, condropatia patelar, fratura por estresse, síndrome do Estresse Tibial Medial (SETM), ruptura de manguito rotador, hérnia de disco, lesão do plexo braquial e doença desmielinizante do sistema nervoso central.
Nem todos os servidores conseguem retomar a rotina de trabalho após sofrerem lesões. O soldado PM Émerson Nicoli é uma das pessoas que teve a direção da sua vida alterada após realizar uma abordagem em 2014. Os tiros provocaram a tetraplegia, mas a atitude de superação o trouxe à condição de paraplégico. “Os três primeiros anos foram bem difíceis; me afastei dos amigos e colegas, minha vida parecia ter acabado aos 29 anos. Minha mãe e irmã deixaram a nossa cidade natal para trás e mudaram-se para Porto Alegre porque eu precisava de cuidados. Até que eu percebi, vendo a luta das duas, que era preciso enfrentar o problema ou eu cairia em depressão,” lembrou como reergueu-se. Hoje, após 18 cirurgias em 11 anos, compartilha a sua experiência com os colegas e esclarece as dúvidas por meio da sua atuação na Asasepode. Émerson colabora ainda na contabilidade da Associação.
Para o soldado PM Émerson, que é um exemplo de determinação e de superação dentro da Brigada Militar, é importante que todos os servidores da segurança pública tomem conhecimento da prestação de serviços da Asasepode. “Atualmente está bem melhor o atendimento em geral para os servidores acidentados na segurança pública. Mas, ainda é necessário sabermos mais sobre os nossos direitos e sobre como aumentarmos os cuidados em determinadas situações, o que é possível em diálogos com quem teve essas experiências,” atestou. Ele acredita que, assim como realizam palestras e capacitações na Associação, caberia uma matéria com esses dois temas no Curso Básico de Formação Policial Militar (CBFPM).
Convite
A Asasepode desenvolve atividades que promovem a integração, a saúde e o exercício da cidadania, entre elas, a prática de esgrima, atletismo, natação, tênis de mesa, oficina de artesanato, bazar e brechó. A Associação destaca-se também pela conquista de prêmios em competições paradesportivas. Para obter mais informações clique aqui e aqui.
Texto: jornalista Eliege Fante, servidora civil na PM5/BM